sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Resenha: Não faz sentido - Felipe Neto

Faz tempo que não posto nada aqui. Mas desde que comprei o livro “Felipe Neto – Não faz sentido”, me deu muita vontade de expor a opinião que tive sobre ele.


Confesso que nunca fui muito fã do Felipe Neto. Talvez pelo fato de seus vídeos serem recheados de palavrões (sim, sou careta e me incomodo quando a pessoa fala MUITOS palavrões), ou talvez, pelo fato de ser “um cara jovem, inocente, pimpão que só sabe falar mal dos outros” - como ele mesmo descreveu em seu livro.
Não via muita graça em seus vídeos e achei muito chato sua participação no Esporte Espetacular. Mesmo que todos ao meu redor falassem dele (mentira, nem era todos... Na verdade eram 3 ou 4 só).

Ao mesmo tempo, em dois dos seus vídeos (Crepúsculo e 50 Tons de Cinza), ele falava praticamente o que eu pensava sobre o assunto. Inclusive, consegui convencer uma amiga a NÃO perder tempo lendo os 50 Tons, com seu vídeo.

E por isso, ficava com a ideia de que ele deveria ser um chato e “seachão”.

No entanto, há um mês, mais ou menos, estava na casa de uns amigos e acabei assistindo “A Toca” (a série / curta / episódio ?) produzida para mostrar o dia a dia dos bastidores da Parafernalha. E neste dia minha opinião sobre ele começou a mudar.

Fiquei sabendo que ele havia lançado um livro e no mesmo dia comprei.

Confesso que achei que leria mais rápido. Não que seja chato... Mas, a cada capítulo fui parando para assistir os vídeos (sensacional a ideia de colocar os QrCodes no final de cada capítulo). No fim, acabei assistindo TODOS, inclusive os poucos que havia visto e as campanhas publicitárias.

Gostei do livro, pois mesmo sem o conhecer, com as referências que tive dele no “Não Faz Sentido” e em “A Toca”, em toda a leitura conseguia imaginar ele falando. Pois, a narração foi totalmente ele, sem edições muito formais da escrita, com linguagem bem despojada e até com palavrões. Também foi muito engraçado, em vários momentos.

Acabei percebendo que fui uma das pessoas que não conseguia separar a pessoa Felipe Neto, do personagem criado para o Não Faz Sentido.

Ao saber que ele pesquisava muito antes de gravar seus vídeos, o deixou com muito mais credibilidade (a meu ver, claro). Acabei fazendo o que ele diz em um de seus vídeos, que é julgar sem conhecer. Mas fazer o que, “todo mundo tem um preconceito”.

Em alguns momentos acabei me identificando com ele, principalmente por concordar que a preguiça e o medo estão impedindo as pessoas de colocar seus sonhos em prática.

Mas enfim... Seu livro se resume na sua trajetória, desde o surgimento da ideia de ter um canal o youtube, seus medos, anseios, depressão, polêmicas com “Colírios da Capricho” e o Fiuk, propostas, até a criação do Parafernalha e da Paramaker.

Vale a leitura para quem é fã dele, para quem é fã do youtube, para quem quer ter outra visão do Felipe Neto, para quem tem curiosidade e para quem não tem mais nada para ler, hehe.

Apesar de ter mudado um pouco a visão que eu tinha dele como pessoa, em vários momentos do livro pude constatar que de fato, ele é um pouco “seachão”, hahaha.

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Luto por SM

As palavras mais bonitas que li sobre o incêndio em Santa Maria neste domingo, foi do Fabrício Carpinejar. Acredito que ele tenha traduzido os sentimentos de muitas pessoas, principalmente as que perderam alguém.

A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS
Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça. 
A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.
Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.
A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.
As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.
Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.
Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.
Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.
Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.
Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.
Morri sufocado de tanta morte; como acordar de novo?
O prédio não aterrissou de manhã, como um avião desgovernado na pista.
A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.
Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.
Mais de duzentos e cinquenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.
Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.
As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.
Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.
As palavras perderam o sentido.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

7.556 páginas

Como sempre, gosto de fazer uma lista dos livros que li no ano... 2012 não foi um ano muito produtivo para leitura devido ao número de atividades da faculdade. Mas mesmo assim, vou fazer a lista para não perder o costume :p

JANEIRO
Caninos Brancos - Jack London

O último Yeti – Alberto Melis

O Segredo do Lago Ness - Alberto Melis

A pérola do dragão - Alberto Melis

A magia do unicórnio - Alberto Melis

Qual o seu número? - Karyn Bosnak

FEVEREIRO
A Revolução dos Caranguejos - Carlos Heitor Cony

mãe judia, 1964  - moacyr scliar

Um voluntário da pátria  - Zuenir Ventura

A mancha - Luis Fernando Verissimo

MAIO
Darmapada  - Fernando Cacciatore de Garcia

Cultura da convergência - Henry Jenkins


JUNHO
Marketing Empreendedor - Org: Sérgio Moretti, Fernando César Lenzi, Fabrícia Durieux Zucco

O Encontro - Richard Paul Evans

Vira-Latas - Ediouro (Ed.)


AGOSTO
O Homem de Beijing  - Henning Mankell

Quando Ela Se Foi - Harlan Coben

Marley & Eu - John Grogan

Quebra de Confiança  - Harlan Coben


SETEMBRO
Nos Bastidores da Pixar - Jackson, Lynn; Capodagli, Bill

Nietzsche Para Estressados - Allan Percy

Meu amigo Michael  - Frank Cascio


OUTUBRO
Desperte o Milionário que há em você - Carlos Wizard Martins

Empreendedorismo - As Regras do Jogo - Business Week

O que é Comunicação - Juan E. Díaz Bordenave



DEZEMBRO
Marketing Social - Philip Kotler, Eduardo L. Roberto

Marketing Social - Luiz Claudio Zenone

Liderança - Business Week

Jogada Mortal – Harlan Coben

Desaparecido Para Sempre – Harlan Coben

Confie em mim – Harlan Coben

Cilada - Harlan Coben

Sem Deixar Rastros - Harlan Coben

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ler deveria ser proibido

Por Guiomar de Grammon

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.

Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verosimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova. Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.

Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.

Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

domingo, 11 de novembro de 2012